POSIÇÃO DOS
CRISTÃOS BRASILEIROS COM RELAÇÃO À ISRAEL, LUGARES SAGRADOS E O POVO JUDEU.
Exmo.
Sr. Ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil
O grupo Cristãos Brasileiros e simpatizantes, que assinam este manifesto vem,
respeitosamente, perante V.Exa., manifestar-se nos seguintes termos:
A Cultura de Paz que tornou-se uma bandeira de nossa nação brasileira,
construída e manifestada nestes quase centro e trinta anos de nossa história
republicana, independentemente de quais governos ou partidos políticos
ocupassem o executivo de nossa nação, viveu momentos dourados, quando logo após
o final da II Grande Guerra Mundial, na então recém formada Organização das
Nações Unidas, na pessoa do seu Embaixador, nosso Chanceler Oswaldo Aranha,
presidiu a histórica votação, em que decidiu-se por um Plano de partição da
Palestina para a criação do Estado de Israel.
O reconhecimento desta posição brasileira é notória ao povo judeu que, no
conhecido espaço em Jerusalém chamado Wohl Rose Park, onde encontra-se O
Parlamento Israelense, O KNESSET; O Símbolo da Nação, A Menorah, (candelabro de
sete braços), colocou uma homenagem ao “NOBRE POVO DO BRASIL” e ao nosso
Embaixador, por entranhados laços de amor e respeito para com o POVO JUDEU que
teve uma longa trajetória e luta para se manterem unidos, mesmo tendo sido
expulsos de sua pátria cerca de dois mil anos atrás.
Foi no ano 70 de nossa Era, que este povo foi expulso de sua terra através da
investida do General Romano, Tito, que destruiu as Muralhas, O Templo
construído por Zorobabel, renovado e remodelado por Herodes, O Grande, no local
onde outrora, Salomão construiu um Templo ao Deus do seus pais. Templo este,
que também foi destruído na invasão Babilônica do ano 586 antes de nossa
Era.
Não são novidades os esforços para que tais verdades históricas sejam de todo
apagadas, à vista do que O Imperador Adriano realizou no ano 131 de nossa Era
quando mandou arar a Esplanada do Templo e mudou o nome de YERUSHALAIM para
AELIA CAPTOLINA.
O absurdo desta violência histórica era de que embora não tendo ficado pedra
sobre pedra da Majestosa “Casa de Oração para Todos os povos” que ficava no
local mais alto do Monte chamado desde os dias dos Patriarcas, de MORIAH, é que
a estrutura construída por Herodes para ampliar o espaço de visitação pública,
permaneceu quase intacta nestes dois mil anos, sendo que nos dias de hoje o
local mais visitado e considerado sagrado para os judeus de todo o mundo é o
Muro Ocidental, parte mais próxima de onde no passado esteve o aposento dos
Antigos Templos, chamado de “A Santidade das Santidades”.
O acesso a este humilde local de orações, só foi possível, mesmo assim, quando
na “Guerra dos Seis Dias” em 1967, a investida de várias nações vizinhas do recém-formado
Estado de Israel, não logrou sucesso, na tentativa de impedir a Decisão das
Nações Unidas, de que O Povo Judeu tivesse direito de viver na Terra de seus
antepassados.
Naquele momento em que Israel foi invadido para ser aniquilado, pôde
defender-se e legitimamente tomou terras que outrora lhe pertenceram como RAMAT
GOLAN (As Colinas do Golan), Jerusalém Oriental e O Monte do Templo, para que
as Palavras milenares do Salmo 122 se cumprissem:
Salmo 122:2 e 3 – “Pararam os nossos pés junto às tuas portas, ó Jerusalém!
Jerusalém, que estás construída como cidade unificada,”
Respeitando o propósito original daquele local de garantir livre acesso para
todas as nações, Israel tem calado seus anseios de que aquela Antiga “Casa de
Oração para todos os povos” fosse mais uma vez reconstruída, mantendo as
edificações mais novas, e que são consideradas sagradas para os cristãos e os
mulçumanos.
Temos acompanhado resoluções ligadas a organismos das Nações Unidas, que sequer
reconheciam o vínculo de judeus e cristãos com a Cidade Velha, e temos estado
bastante satisfeitos com o esforço do nosso governo através do seu Ministério
de Relações Exteriores, em posicionar-se contrário a esta postura
desiquilibrada, bem como responsabilizar apenas um lado pelo Ciclo de Violência
da Região.
Reconhecemos da mesma forma o esforço de nossa Chancelaria, mantendo a tradição
pacifista do povo brasileiro, em garantir livre acesso aos locais sagrados das
três religiões monoteístas, coisa que é verificado hoje quando milhares de
turistas do Mundo todo sobem para Jerusalém, e livremente e de forma segura podem
visitar os locais sagrados de suas e das outras religiões, em segurança. Sendo
comum encontrarmos muitíssimos cristãos orando com os judeus no Muro Ocidental,
bem como cada vez mais frequente a visita de mulçumanos à este mesmo local,
assim como a visita de cristãos e judeus à Esplanada das Mesquitas (antigo
Monte do Templo).
Acreditamos num avanço ainda desta nossa posição já que embora manifestando sua
desaprovação a este desequilíbrio expresso nas resoluções 199a. e 200a,
mantivemos o voto, não reconhecendo os laços históricos do povo judeu com O
Monte do Templo coisa que para os cristãos no Brasil é um ponto onde não pairam
quaisquer dúvidas, ante todo este exposto, mui respeitosamente queremos,
REITERANDO NOSSO APOIO ao esforço do nosso Governo de equilibrar tais situações
delicadas sinalizar nossas posições baseadas em nossos valores cristãos:
Excelência:
Este manifesto tem a intenção de afirmar que os Cristãos do Brasil têm com
Israel um laço de unidade indissolúvel e inegociável. Sendo assim:
1)
Como rudimento de nossa fé, nós cristãos no Brasil, nos vemos ligados a Israel
e ao povo judeu, e jamais concordaremos com posições de nosso governo
contrárias à existência de Israel e ao seu direito de viver livremente numa
nação Judaica, bem como administrar sua nação e defender sua Soberania.
2)
Reconhecemos o direito de Israel de ter acesso a locais sagrados por seus
vínculos históricos, como Jerusalém Oriental, A Cidade Velha de Jerusalém e o
Monte do Templo.
3)
Reconhecemos que o povo judeu mesmo tendo sido expulso de sua Terra
violentamente e espalhados pelas nações, aguardou pacientemente, mesmo sofrendo
os horrores nazistas na Segunda Guerra Mundial e tantas outras violentas
perseguições na história, até o ano de 1947, quando novamente foi-lhe concedido
o direito legal de voltar à Terra de seus antepassados.
4)
Esperamos que com a mesma firmeza de princípios que defende um lar nacional
para o povo árabe-palestino, que a Diplomacia brasileira defenda expressamente,
de forma pública e textual, o direito de Israel existir como uma nação judaica,
tendo como sua capital indivisível a Cidade de Jerusalém.
5)
Esperamos que todos os esforços possíveis de nosso governo possam continuar
sendo empregados para que o acesso aos locais sagrados sejam facilitados,
garantidos e protegidos para que haja segurança e paz, e nisso os Valores da
Antiga “Casa de Oração” dos judeus estarão sendo contemplados.
6)
Esperamos que as relações diplomáticas entre O Brasil e Israel que recentemente
tornaram-se instáveis, possam voltar à normalidade da amizade histórica que une
nossos povos, e que a mais clara manifestação disso seja de que novamente
Israel possa indicar Embaixador enviado ao Brasil e lho possamos receber com
honra e dignidade em nossa nação.
7)
Esperamos que as futuras posições da política externa brasileira, em especial
sob o Tema Israel e o Povo Judeu, sejam tema de amplas discussões já que tais
posições são valorizadas por nossa cultura cristã, bem como por nossa história
e fé, desta expressiva parcela de nossa população.
Assinam o presente manifesto os Cristãos Brasileiros e simpatizantes.
Destacamos as instituições cristãs e judaicas, notadamente conhecidas, que
manifestam a pluralidade de nossa posição.
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ABAIXO ASSINADO
CAB - CONSELHO APOSTOLICO BRASILEIRO