10/11/2015

A vida é mesmo assim…

Por Karine Rizzardi

Eu era pequenininha quando eu brincava ao redor da casa do meu avô. Ele era italiano e tinha uma cantina no final da rua que eu ia e vinha uma série de vezes enquanto passava lá as minhas férias. O natal era marcado por milhares de músicas italianas e os familiares fechavam à rua, para a preparação daquele dia. Ainda sinto o cheiro do salame e da copa que ele fazia no porão de sua casa e aquelas lembranças me remetem a um passado mágico e alegre.

Em um desses feriados, escolhemos levar minhas filhas para ver onde a mãe delas estava há algumas décadas atrás. O calor humano e alegria continuavam as mesmas, mas o cenário havia mudado. Aquela cantina suntuosa foi substituída por uma velha construção esquecida. O mato aparado por uma série de vacas que desfilavam pelos montes, foi entregue ao ciclo natural da vida. A casa que fazia barulho da madeira enquanto eu andava e cheirava bolacha caseira e macarrão feito com ovos caipira, foi trocada por um lar que agora cheira limpeza. Até o caminho que eu fazia da casa até o final da rua ficou menor. Antes eu tinha que andar tanto para chegar lá…

Eu cresci e agora tenho pernas mais longas e passos mais rápidos. Por trás de um olhar analítico da vida, ainda morava dentro de mim aquela menina que fazia fogos de artifício com bombril e enrolava num galho de árvore… mas o que antes era com os primos, agora pôde fazer isso com minhas próprias filhas.

A vida se renova, mas apesar de tantas mudanças, algumas certezas me confirmam aquilo que sempre estou tentando me lembrar (e que a correria do dia sempre insiste em me fazer esquecer).

Tudo na vida tem um ciclo e todo brilho do ser humano também. Hoje poderemos estar no melhor lugar e fazendo as coisas mais notáveis, mas tudo isso fará parte de um passado daqui a algumas décadas. Todo seu desgaste emocional para construir uma casa ou decorar um apartamento ficará obsoleto, assim como ficou a casa da minha vó. Todos os homens que se destacavam daquela cidade, agora eram idosos sentados na varanda. Isso, contudo, não deve ser motivo de tristeza, mas sim de consciência com as próprias escolhas que fazemos no presente.

Em poucos anos o que restará é o valor que o seu nome carrega e é nessa hora que você saberá se sua imagem está associada ao sinônimo de “honra” ou não. Está aí a diferença. Se durante sua vida, você se concentrar em sucesso, fama e poder, é certo que a depressão chegará junto com a velhice, mas se seu foco está em ter seu nome associado a atitudes de “honra”, sua velhice ainda será marcada por atitudes nobres que ainda darão frutos. Uma pessoa preocupada com sua honra evita erros e se desvia de caminhos enganosos. Ela pode sentir o desejo de agir erroneamente, mas sua própria consciência o corrige.

Por esta razão, acho que vale fazer menção de um texto feito por Regina Brett, uma senhora de 90 anos de idade que escolheu celebrar sua velhice, escrevendo sobre as 45 lições que a vida lhe ensinou. Entre as lições principais ditas por ela, algumas me chamam mais atenção: “Seu trabalho não cuidará de você quando você ficar doente, mas seus familiares cuidarão. Permaneça em contato” e “Suas crianças tem apenas uma infância” e “Vale a pena se empenhar pelo seu cônjuge”.

Você pode entender isso antes dos 90 anos! Faça-o antes do cenário de sua vida mudar.

A autora é psicóloga especialista de casais e família
 (45) 3224-4365